Reforma no Centro Histórico de Ouro Preto: o que pode e o que não pode

Reforma no Centro Histórico de Ouro Preto: o que pode e o que não pode

Reformar um imóvel no Centro Histórico de Ouro Preto é um exercício de equilíbrio entre conforto contemporâneo e respeito ao patrimônio. Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO, em 1980, e desde 1938 seu conjunto arquitetônico e urbanístico é tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Qualquer intervenção em imóveis dentro da área tombada precisa seguir regras específicas. Conhecê-las é o primeiro passo para uma reforma bem-sucedida.

O IPHAN em Ouro Preto

O IPHAN é o órgão federal responsável pela preservação do patrimônio cultural brasileiro. Em Ouro Preto, monitora a Zona Central Preservada e estabeleceu diretrizes específicas para intervenções urbanísticas e arquitetônicas nessa área.

Na prática, antes de qualquer obra no Centro Histórico, o projeto precisa ser submetido ao IPHAN para análise de compatibilidade com a preservação do conjunto histórico.

O que geralmente não pode ser alterado

Fachada externa. Volumetria, proporções, materiais e cores da fachada original devem ser preservados. Janelas, portas, beirais, telhados e qualquer elemento que caracterize a fachada histórica são protegidos.

Estrutura do telhado. O tipo de telha (geralmente colonial ou capa-canal), a inclinação e a configuração do telhado integram o conjunto protegido. Substituições devem manter as mesmas características originais.

Volumetria da edificação. Ampliações que alterem o volume visível do imóvel a partir da via pública são, em regra, vetadas.

O que geralmente pode ser feito

Reformas internas. O interior do imóvel oferece mais flexibilidade. É possível redistribuir ambientes, atualizar instalações elétricas e hidráulicas, especificar novos revestimentos e modernizar cozinhas e banheiros, desde que a estrutura principal seja preservada.

Atualização de acabamentos internos. Porcelanatos, metais, louças e revestimentos contemporâneos podem ser utilizados nos ambientes internos. Em um projeto nosso no Centro Histórico, especificamos porcelanato com textura de folhagens no banheiro, combinado com metais dourados e granito marrom absoluto. O resultado: um ambiente contemporâneo que dialoga com o contexto histórico sem descaracterizá-lo.

Manutenção e restauro. Reparos em telhados, paredes, esquadrias e pisos são não apenas permitidos, mas incentivados. A manutenção preventiva é a forma mais eficaz de preservar o imóvel.

Infraestrutura moderna. Sistemas elétricos, hidráulicos, de internet e segurança podem ser atualizados, desde que as instalações não fiquem aparentes na fachada.

Soluções projetuais para imóveis históricos

Espelhos como recurso de ampliação

Imóveis históricos costumam ter cômodos compactos. Uma estratégia que adotamos com frequência é o posicionamento criterioso de espelhos de grande formato. Na reforma que realizamos no Centro Histórico, um espelho amplo na sala de jantar integrada à cozinha ampliou significativamente a percepção de espaço e adicionou elegância ao ambiente.

Materialidade que harmoniza épocas

O equilíbrio entre o contemporâneo e o tradicional define a qualidade de uma reforma em imóvel histórico. Porcelanatos com texturas naturais — pedra, madeira — funcionam com consistência. Metais em tons dourados ou bronze criam pontos de sofisticação sem parecer deslocados do contexto.

Iluminação como transformação

A iluminação transforma espaços compactos. Luminárias de desenho contemporâneo com referências clássicas podem redefinir um quarto ou sala. No projeto que realizamos, luminárias com desenho romântico complementaram o papel de parede de folhagens no dormitório, criando um ambiente de aconchego refinado.

Preservação de elementos originais

Pisos de madeira originais, molduras, forros e outros elementos históricos agregam valor ao imóvel e contam a história do lugar. Sempre que possível, restaurar é preferível a substituir.

O processo de aprovação

  1. Contratação do arquiteto. Um profissional com experiência em intervenções em imóveis históricos conhece as exigências do IPHAN e sabe elaborar um projeto com maior probabilidade de aprovação.

  2. Levantamento do imóvel. Antes de projetar, é necessário um levantamento detalhado do estado atual da edificação, incluindo registros fotográficos completos.

  3. Elaboração do projeto. O projeto deve detalhar todas as intervenções propostas, com justificativas técnicas para cada decisão.

  4. Submissão ao IPHAN. O projeto é submetido à superintendência regional para análise. O prazo de resposta varia conforme a complexidade da intervenção.

  5. Aprovação na prefeitura. Além do IPHAN, o projeto precisa de aprovação municipal para obtenção do alvará de reforma.

  6. Execução acompanhada. Durante a obra, o IPHAN pode realizar vistorias para verificar conformidade com o projeto aprovado.

O valor de morar no Centro Histórico

Residir no Centro Histórico de Ouro Preto é uma experiência singular. A riqueza arquitetônica barroca, a proximidade com igrejas, museus e a vida cultural da cidade compõem um cotidiano que poucos lugares no Brasil oferecem. Uma reforma criteriosamente planejada permite desfrutar de todo o conforto contemporâneo dentro de um imóvel com história e personalidade.

Na Pertence Arquitetura, temos experiência com projetos no Centro Histórico e conhecemos o processo de aprovação junto ao IPHAN. Estamos à disposição para conversar sobre a sua reforma.

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